ícones franceses: pensando a respeito

Sempre que alguém fala em França, ou francês, o que vem na sua cabeça? Paris, a Torre Eiffel, perfumes, queijos, vinhos, moda, os cafés, os homens, as mulheres, os cantores, o biquinho ao pronunciar determinadas palavras, champanhe, baguete. Não sei nem por onde começar… como hoje é domingo, pensei em pão, baguete, pão francês… e achei muitas imagens e uma deliciosa história de um brasileiro em Paris, Daniel Cariello

Procura-se pão francês

– Três pães, s’il vous plaît.
– Qual?
– Pão francês. Queria três, bem assados.
– Pão francês?
– Não tem?
– Aqui na França, tecnicamente falando, todos os pães são franceses.
– É aquele pãozinho pequeno assim, ó.
– O croissant?
– Não, não. É um que parece um zepelin, sabe?
– Baguete?
– Não, a baguete parece mais um submarino, e é grande. Esse é como uma baguete que encolheu.
– Voilà! É a mini-baguete.
– Menor ainda.
. É a mini-baguete cortada ao meio?
– Mas aí continua sendo uma mini-baguete, só que cortada ao meio.
– Tem razão.
– Imagina que a baguete é o pai.
– Tô imaginando.
– O pão francês é o filho gordinho.
– Nunca ouvi falar.
– É o pão do dia-a-dia no Brasil.
– E vocês o chamam de pão francês?
– Sim.
– Olha, acho que ele não existe na França.
– Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
– Lamento te revelar isso assim, de supetão.
– Estou chocado.
– Ainda temos a baguete. Quer?
– Vai, me dá uma.
– Qual? Normal, tradicional, integral, com cereais?
– Mas é difícil comprar pão por aqui, hein?
– O que você queria? Estamos na França. Temos dezenas de pães diferentes.
– Só não tem o pão francês.
– Esse não.
– Me dá uma baguete com cereais, então.
– Aqui está.
– Pode embrulhar?
– Hã?
– Colocar num saco.
– Aqui não…
– Já sei, não tem saco pro pão também.
– Isso.
– Vai me dizer que tenho que levá-lo debaixo do braço?
– Exatamente.
– Olha, mudei de idéia. Dá pra sair um misto-quente?

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Agora, lá vou eu saborear o meu, começando pela “bunda” que é a parte que eu mais gosto – e, segundo uma amiga, quem gosta de bunda de pão é invejosa, ou egoísta, ou algo do gênero (não consegui encontrar nenhuma referência a esse respeito na internet). Como o meu sozinha então…

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A origem: não existe pão francês na França, assim como não deve existir limonada suíça na Suíça, mas o conceito do pão veio de lá mesmo. Segundo a Wikipedia, “até o fim do século XIX, o pão mais comum no Brasil era completamente diferente, com miolo e casca escuros. Na época, era bastante popular em Paris um pão curto com miolo branco e casca dourada – espécie de precursor da baguete, atual predileção dos franceses. Os viajantes de famílias ricas que voltavam de lá descreviam o produto a seus cozinheiros, que tentavam então reproduzir a receita pela aparência.

O resultado foi a invenção do pão francês brasileiro. Em algumas regiões do país ele se difere de sua fonte de inspiração européia, por poder levar um pouco de açúcar e gordura em sua composição. Com o tempo, o novo pão foi ganhando apelidos locais diferentes, como cacetinho, média, filão, pão jacó ou pão de sal, em diferentes cidades do Brasil.”

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