crítica implacável para busca implacável

O trailler…

A crítica…

Thriller francês impessoal copia fórmula norte-americana

Liam Neeson é um agente secreto aposentado na produção de Luc Besson

CÁSSIO STARLING CARLOS
CRÍTICO DA FOLHA

“Não pisem no meu rabo que eu não mordo.” Com este lema, Brian Mills, um agente secreto aposentado, segue sua vida pós-aposentadoria. Até que uns malvados raptam sua filha e… o resto todos sabem.
A máquina de fazer filmes sempre esteve associada a Hollywood, com seus métodos impessoais de gestão e eficácia como qualquer outro negócio.
Então, por que não copiar tudo isso quando se pretende realizar um produto de puro entretenimento? É o raciocínio que alimenta “Busca Implacável”.
Com a impessoalidade do thriller à moda americana, o filme é uma produção francesa que emula os códigos da matriz sem esquecer de incluir a truculência como força-motriz.
Por trás da idéia só podia estar Luc Besson, que produz e assina o roteiro. Desde “O Quinto Elemento” (97) havia ficado óbvia a inspiração de Besson na fórmula hollywoodiana do espetáculo, o que o levou a abandonar em definitivo as tentativas de soar original que marcavam seus primeiros filmes.
“Busca Implacável” busca um lugar ao sol no mercado global.
O mimetismo se estende ao elenco, encabeçado por Liam Neeson. O ator passou, de modo arriscado, a se atrelar a papéis que exigem mais esforço físico do que atuação. Em torno dele, os mais reconhecíveis vêm de seriados de TV.
Para tocar o longa, Besson convocou Pierre Morel, técnico experiente como diretor de fotografia e câmera, capaz de decidir rápido e com eficiência como filmar correrias, explosões e perseguições de carros pelas ruas parisienses.
O jogo de gato e rato entre o protagonista e os raptores de sua filha busca atualização em temas como a máfia do Leste Europeu e a paranóia xenófoba dos americanos. De um lado, Neeson exercita sua musculatura para eliminar tudo que se interponha entre seus ideais e a segurança da filha. De outro, uma legião de estrangeiros constituem o pacote de vilões.
A aparição diluída de atores cujas faces são mais reconhecíveis pelos espectadores de TV leva a supor que “Busca…” seja uma exploração do filão “24 Horas”, com um pai na pele de super-herói infalível e uma família ameaçada, projeções simbólicas de um país tomado pelo medo depois de 2001.
Mas até Jack Bauer projeta nuances e significados menos óbvios, como a sucessão de inimigos internos e traições que mantêm a série de TV. “Busca…”, ao contrário, elege os americanos como heróis impolutos e a despachar todo o resto do mundo para o inferno.


BUSCA IMPLACÁVEL
Produção: França, 2008
Direção: Pierre Morel
Com: Liam Neeson, Maggie Grace
Onde: estréia hoje nos cines Eldorado, Jardim Sul e circuito
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos
Avaliação: ruim

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