“nunca pagaria R$ 7.500 num vinho”

Ufa!.. se o grande mestre Gildas D’Ollone é quem afirma, quem sou eu pra discordar… Há quase 20 anos à frente do respeitadíssimo Chateau Longueville Comtesse de Lalande, ele se considera um “tradutor da qualidade solo” de Bordeaux, França.  Recentemente esteve no Brasil para promover seus vinhos e visitar a filha que estuda no Rio. Segue uma passagem da entrevista que deu pra Folha:

FOLHA – Os consumidores de vinhos top realmente entendem de vinho?
D’OLLONE
– Na Ásia, quem mais entende são os japoneses. Na China e na Rússia ainda se compra pela marca. Nos EUA, em Cingapura e na Inglaterra há muitos especuladores, que fazem o preço do vinho subir muito. No Brasil, o mercado está dividido. Existem os conhecedores, que são de famílias mais antigas, e os novos milionários, amadores, que compram mais para mostrar.
Eles são como vitrines porque, de fato, consomem o vinho e mostram aos amigos.

FOLHA – Até que preço o senhor pagaria em um vinho?
D’OLLONE
– Meu limite são R$ 600, R$ 750. Eu nunca pagaria R$ 7.500 em um vinho. Isso é coisa para colecionadores de rótulos. Os que entendem e gostam de tomar vinho não pagam isso.

FOLHA – A classificação dos vinhos de Bordeaux foi feita em 1855. Não seria o caso de revê-la?
GILDAS D’OLLONE
– O impacto que essa mudança teria, principalmente no setor imobiliário, seria imenso. As terras em que são produzidos um premier cru, como o Latour ou o Lafite, chegam a valer quatro vezes mais do que as dos deuxième cru. Além disso, não precisamos nos preocupar com classificações, pois o mercado é quem comanda o preço dos vinhos de cada safra.

FOLHA – Há dois anos vocês foram comprados pela família Rouzard, dona da champanhe Cristal.
D’OLLONE
– Chegamos a conversar com a Chanel e a Hermès, mas preferimos entregar a um grupo que já tivesse conhecimento do mundo do vinho e uma distribuição mundial. A venda foi uma forma de perpetuar a marca e nosso trabalho. Se não fosse assim, poderia haver um grande problema no futuro com os herdeiros, já que nenhum quer ou está preparado para assumir o negócio da família.

FOLHA – O que mudou nos vinhos de Bordeaux nos últimos anos?
D’OLLONE
– Nossos consumidores são da geração Coca-Cola. Eles foram habituados a tomar coisas doces e isso modificou o paladar. Por isso, querem vinhos mais frutados, com menos taninos, mas que ao mesmo tempo possam ser armazenados por até 30, 50 anos. Os vinhos jovens de hoje são muito melhores do que há 30 anos.

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