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a frança também é aqui – o verdadeiro neoclássico

Voltando um pouco na história… a influência francesa na arquitetura brasileira durou aproximadamente de 1816 até a Segunda Guerra Mundial e se manifestou sob a forma de quatro estilos distintos: o neoclássico, o eclético, o Art Déco ou Art Nouveau e o moderno.

De acordo com Carlos Lemos, arquiteto e professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no Rio de Janeiro, essa influência foi mais forte na época do império e em São Paulo começou a partir do estilo eclético (século XIX), patrocinado principalmente pelos barões do café.

O interessante é que, segundo Lemos, essa inspiração trouxe para o Brasil muito mais do que uma estética de fachada, mas um modo de morar à francesa, em que, pela primeira vez, as construções eram divididas em alas totalmente independentes – de dormir, de estar e de serviço. “Essa é, com certeza, a maior contribuição da arquitetura francesa ao Brasil. Conceito utilizado até hoje na maioria dos projetos”, afirma.

O neoclássico

A arquitetura neoclássica foi fruto da reação antibarroco e anti-rococó, deflagrada pelos novos artistas-intelectuais do século XVIII – formados no clima cultural do racionalismo iluminista e educados no entusiasmo crescente pela Civilização Clássica, cada vez mais conhecida e estudada devido aos progressos da arqueologia e da história.

Achei uma lista de características* deste movimento artístico na arquitetura, mas talvez o vídeo abaixo ilustre melhor os seus pontos principais, apresentados a partir de prédios de São Paulo:

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* A lista:
  • Materiais nobres (pedra, mármore, granito, madeiras)
  • Processos técnicos avançados
  • Sistemas construtivos simples
  • Formas regulares, geométricas e simétricas
  • Uso de abóbodas de berço ou de aresta
  • Uso de cúpulas, com frequência marcadas pela monumentalidade
  • Espaços interiores organizados segundo critérios geométricos e formais de grande racionalidade
  • Pórticos colunados
  • A decoração recorreu a elementos estruturais com formas clássicas, à pintura rural e ao relevo em estuque
  • Valorizou a intimidade e o conforto nas mansões familiares
  • Decoração de carácter estrutural
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1 comentário

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a frança também é aqui

Isso aqui ôô, é um pouquinho de Paris iáiá!

Eu comecei a escrever este post, pensando em descobrir a influência francesa nas ruas de São Paulo e na sua arquitetura. Flanando* pela internet e pelas cidades, descobri que tudo começou mesmo no Rio de Janeiro, com a chegada no Brasil da Missão Francesa, em 1816.

Segundo consta, respondendo ao convite de Dom João VI, vários pintores (como Jean-Baptiste Debret), escultores e arquitetos formaram a Missão Francesa, liderada por Grandjean de Montigny, arquiteto de renome na Europa e nomeado aqui com o primeiro título oficial de professor de arquitetura.

A primeira obra de Montigny no Rio de Janeiro foi o pórtico da Academia Imperial de Belas-Artes, na rua Jardim Botânico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas, o projeto mais representativo do neoclassicismo à la française é, segundo especialistas, o da Casa França-Brasil, ainda preservado e transformado em um espaço de intercâmbio cultural e artístico.

 

Confeso que quando vi o prédio fiquei um pouco confusa com a idéia de neoclássico, já que a tradução que vemos pelas ruas (pelo menos de São Paulo), nos prédios erguidos entre os anos 80 e 90, são provavelmente o imaginário de neoclássico produzido em massa por aí. Como este predinho comercial, que recebe a descrição “Predio todo decorado ao estilo neoclassico…”

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* Flanêur, objeto para mais um longo post, vem do verbo francês flâner, que significa “passear” (mas sem um roteiro muito pré definido). Um flâneur é aquela pessoa que anda pela cidade para experimenta-la.

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nossos brasileiros na frança: oscar niemeyer

“Se eu não pudesse mais viver no Rio, é em Paris que eu moraria”, disse o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer em 1990 a um jornalista francês. No período em que ficou exilado na capital francesa (entre os anos de 1967 e 1972) projetou, de graça (e baseado em todas as suas convicções socialistas), a sede do Partido Comunista Francês.

O prédio está hoje na lista dos monumentos nacionais da França e é admirado por sua fachada ondulada, como se fosse uma bandeira ao vento. Mais tarde, ele realizou a obra que a UNESCO incluiu, em 2005, na lista do patrimônio mundial: a Casa da Cultura, da cidade francesa de Le Havre, inaugurada em 1982.

(Informações obtidas em reportagem realizada por Mário Câmera)

Em dezembro de 2007, o arquiteto foi condecorado com a medalha e o título de comendador da Ordem Nacional da Legião da Honra em cerimônia comandada pelo embaixador da França no Brasil.

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