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são luís do maranhão, fundada por franceses

São Luís do Maranhão foi escolhida como a Capital Brasileira da Cultura 2009. Sim, isso não tem absolutamente nada a ver com o assunto deste post? Não! O que eu descobri, lendo esta notícia, é que a cidade, cujo centro histórico é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, foi a única cidade fundada por franceses. A fundação teria ocorrido em 1612, mas existem muitas controvérsias, já que São Luís também éconsiderada a mais portuguesa das capitais…

Bom, a Wikipedia diz que “a ocupação no Maranhão aconteceu a partir da invasão francesa à Ilha de Upaon-Açu (Ilha de São Luís) em 1612, liderada porDaniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, que tentava fundar colônias no Brasil. Os franceses chegaram a fundar um núcleo de povoamento chamado França Equinocial e um forte chamado de “Fort Saint Louis“. Esse foi o início da cidade de São Luís.” Mas a história segue, contando que os portugueses expulsaram os franceses da região em 1615.

Outra reportagem diz também que a cidade foi assim batizada em homenagem ao rei francês Luís 13

Se foi coincidência ou não o fato da cidade mais francesa do Brasil ter sido escolhida como capital da cultural em 2009, justo no ano da França no Brasil, isso não tem importância. O importante é imaginar que isso tudo vai dar numa festa e tanto, com muito bumba meu boi e muita chanson française!

 

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a frança também é aqui – o verdadeiro neoclássico

Voltando um pouco na história… a influência francesa na arquitetura brasileira durou aproximadamente de 1816 até a Segunda Guerra Mundial e se manifestou sob a forma de quatro estilos distintos: o neoclássico, o eclético, o Art Déco ou Art Nouveau e o moderno.

De acordo com Carlos Lemos, arquiteto e professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no Rio de Janeiro, essa influência foi mais forte na época do império e em São Paulo começou a partir do estilo eclético (século XIX), patrocinado principalmente pelos barões do café.

O interessante é que, segundo Lemos, essa inspiração trouxe para o Brasil muito mais do que uma estética de fachada, mas um modo de morar à francesa, em que, pela primeira vez, as construções eram divididas em alas totalmente independentes – de dormir, de estar e de serviço. “Essa é, com certeza, a maior contribuição da arquitetura francesa ao Brasil. Conceito utilizado até hoje na maioria dos projetos”, afirma.

O neoclássico

A arquitetura neoclássica foi fruto da reação antibarroco e anti-rococó, deflagrada pelos novos artistas-intelectuais do século XVIII – formados no clima cultural do racionalismo iluminista e educados no entusiasmo crescente pela Civilização Clássica, cada vez mais conhecida e estudada devido aos progressos da arqueologia e da história.

Achei uma lista de características* deste movimento artístico na arquitetura, mas talvez o vídeo abaixo ilustre melhor os seus pontos principais, apresentados a partir de prédios de São Paulo:

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* A lista:
  • Materiais nobres (pedra, mármore, granito, madeiras)
  • Processos técnicos avançados
  • Sistemas construtivos simples
  • Formas regulares, geométricas e simétricas
  • Uso de abóbodas de berço ou de aresta
  • Uso de cúpulas, com frequência marcadas pela monumentalidade
  • Espaços interiores organizados segundo critérios geométricos e formais de grande racionalidade
  • Pórticos colunados
  • A decoração recorreu a elementos estruturais com formas clássicas, à pintura rural e ao relevo em estuque
  • Valorizou a intimidade e o conforto nas mansões familiares
  • Decoração de carácter estrutural

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o mistério da sopa de cebola

Quanto mais eu viajo, mais quero descobrir as histórias e tradições da minha própria cidade. Por que como turista a gente se arrisca mais? Nos fantasiemos então de turista para passear por aí e descobrir o que a nossa cidade tem de bom, escondido na nossa memória ou na página de algum guia publicado em algum país distante.

Comecei com este parágrafo para justificar o porquê (se é que tem justificativa) de eu falar neste blog de uma coisa que eu nunca experimentei: tomar a tal da sopa de cebola (tradição francesa) no Ceasa (Centro distribuidor de alimentos de São Paulo)

Procurando por aí, descobri a cara que ela tem

Descobri uma receita, no blog Cozinha da Iliane

E ainda a história que está por trás dela (maio abaixo)

Mas nada de descobrir se alguém no próprio Ceasa ainda faz a bendita sopa. Vou continuar pesquisando (para matar a minha vontade a minha curiosidade) e volto já para contar os resultados da pequisa.

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A origem da Sopa de Cebola do Ceasa 

 

A história começa em 1960. Durante a construção do entreposto, os Gouveia, donos de um boteco da região, foram convidados pela diretoria do Ceasa (Centro de Abastecimento de hortifrutigranjeiros de São Paulo) para alimentar os peões. Deu tão certo que os portugueses criaram o “Restaurante do Gouveia”.

 

A idéia da Sopa de Cebola veio de Sidônio Gouveia, filho do proprietário, acostumado a caçar rãs no brejo do Jaguaré.

 

Criada para alimentar os pedreiros da construção do Ceasa, rapidamente a Sopa de Cebola passou a ser pedida certa entre os paulistanos de todas as classes sociais.

  

O caldo, estupidamente quente e gratinado, servia para espantar a umidade. O restaurante do Gouveia acabou, o do entreposto também, mas a fama e a qualidade da Sopa de Cebola permaneceram.

 

Até 1994, quando o restaurante fechou, o prato constava no programa obrigatório das noites frias de inverno.

 

Para resgatar o charme e o romantismo da época, os irmãos Carlos e Eduardo Affonseca resolveram patentear a receita original da Sopa de Cebola. Mergulharam em pesquisas, pois havia várias versões do famoso caldo. Chegaram, então, até o antigo fornecedor de cebolas, em Curitiba, que detinha a legítima fórmula. A Sopa de Cebola tornou-se, então, grife e ficou famosa nas noites de São Paulo.

 

Outra Sopa de Cebola conhecida é a do enorme mercado de Paris, o “Les Halles”. Os franceses costumam tomar sua Soupe a I’oignon acompanhada apenas de pão ou torradas e vinho tinto. 

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mas, que diabo!

“Mas, que diabo, essa gente não usa calças.”

Michel de Montaigne, em seus Ensaios (1572 – 80) após encontrar um par de índios brasileiros em Ruão, em uma “exibição” dos mesmos para o rei Carlos IX.

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