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cabaré na sapucaí

É hoje o desfile da Grande Rio,  uma homenagem ao Ano da França no Brasil em ritmo de samba:

“Voilá, Caxias! Para sempre Liberté, Égalité, Fraternité, merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!”

Segue a coluna da Mônica Bergamo, publicada na Folha, que já deixa a gente em clima de concentração. Voilà Geeeennnnnte!

 

Carnaval à francesa

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Emiliano Capozoli/Folha Imagem  

A bailarina francesa Sophie Escoffier, 28, posa em Paris antes de desfilar na Grande Rio

As dançarinas do Moulin Rouge chegam ao Rio para desfilar no sambódromo e se impressionam com a “verdadeira indústria” que é o Carnaval, relata Cintia Cardoso, de Paris

A mistura parece inusitada. Cancã e samba. “Cocotes” e mulatas. Não que o glamour dos cabarés franceses já não tenha sido motivo de inspiração para carnavalescos, mas é a primeira vez que as dançarinas do Moulin Rouge de Paris participam de um desfile de uma escola de samba no Rio de Janeiro.
 
Hoje, 34 artistas, entre bailarinos, atores e acrobatas, trocarão os palcos parisienses por um dos carros alegóricos da Acadêmicos do Grande Rio, a segunda escola a desfilar no sambódromo. “Estamos muito emocionadas. Vai ser um grande desafio para nós, mas estamos muito felizes”, diz Sophie Escoffier. A vedete recebeu a reportagem da Folha em seu camarim um pouco antes de uma das apresentações. Ela é uma das especialistas em cancã escolhidas pela direção para representar a tradição dessa dança tipicamente francesa na passarela do samba.
 
O anúncio da participação no Carnaval causou alvoroço, explica Fanny Rabasse, relações-públicas do cabaré. “Tivemos que fazer uma seleção interna para definir quem iria para o Rio. Escolhemos as que dominam a técnica do cancã, as que gostam de viajar e as que se adaptam melhor a situações diferentes”, diz. Outra preocupação foi escolher um grupo que fosse representativo da diversidade cultural da casa, que tem artistas de 14 nacionalidades diferentes. “Estamos levando para o Carnaval do Rio artistas franceses, cubanos e africanos”, conta Rabasse.

 

As meninas do Moulin Rouge, aliás, já estão acostumadas a uma seleção constante. Para integrar o corpo de baile da casa, além de uma formação obrigatória em balé clássico, é necessário também ter as medidas exigidas: no mínimo 1,75 m para as mulheres e 1,85 m para os homens. A direção artística da casa também monitora de perto o físico dos dançarinos. Oscilações de peso (2 kg a mais ou a menos) e mudanças da cor ou do corte de cabelo são passíveis de advertência.

 

As “cocotes” tiveram uma semana para preparar a coreografia que vão levar hoje para a avenida. “Foi tudo muito intenso. Tivemos que decorar a letra da música [o samba-enredo da escola], porque sabemos que é importante cantar na hora do espetáculo. Além disso, vamos adaptar os passos ao ritmo do samba”, conta a dançarina Sophie. Questionada sobre o fato de fazer as piruetas do cancã em cima de um carro alegórico em movimento, ela respondeu: “É, isso é uma preocupação a mais, mas juntamente com o coreógrafo, decidimos simplificar alguns passos. Os mais arriscados ficaram de fora, mas vai ser bonito assim mesmo”.

 
Já sobre o samba, Sophie tinha poucas referências. “Achava que era mais parecido com a salsa e outros ritmos latinos. Mas, assim que surgiu o convite, fui à internet me informar, vi vídeos, ouvi músicas. Estou muito ansiosa para ver os percussionistas de perto.” Sobre as tradicionais mulatas cariocas, ela comentou: “Elas têm uma técnica incrível. Vai ser muito interessante ver essa mistura de perto”.

 
O convite para o desfile da Grande Rio surgiu em março do ano passado. Uma equipe de representantes da escola de samba carioca foi a Paris propor a parceria ao cabaré.

 
O enredo da Grande Rio deste ano, “Voilá, Caxias! Para sempre Liberté, Égalité, Fraternité, merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!”, pega carona nas comemorações do Ano da França no Brasil e teve investimentos de empresários franceses. “Achei surpreendente. Não esperava que o carnaval do Rio fosse tão profissional. Aqui nós temos a impressão de que é uma grande festa popular, mas é também uma verdadeira indústria”, diz a relações-públicas do Moulin Rouge, que visitou o barracão da escola na Cidade do Samba no ano passado. “O orçamento do Carnaval do Rio é impressionante. Quase 1 milhão é gasto por cada uma das escolas para apenas uma noite de show. O orçamento do nosso espetáculo diário “Féerie” é de 9 milhões”, conta.

 
O samba até é novidade para as dançarinas, mas não as plumas e os paetês. Para o espetáculo atualmente em cartaz no Moulin Rouge, no bairro de Montmartre, são usadas mil fantasias com plumas, paetês, lantejoulas e todos os brilhos que são a matéria-prima do Carnaval brasileiro.

 
“O nosso fornecedor sul-africano de plumas é o mesmo da Grande Rio, é uma coincidência incrível”, diz Rabasse. Os trajes mínimos das passistas também serão outro quesito que não deixará a trupe do Moulin Rouge desconfortável. As dançarinas do cabaré são conhecidas pelo figurino ousado e provocante: fio dental, topless, transparências e muitas plumas. Mas, para a Sapucaí, as moças estarão bem cobertas. “Vamos usar a roupa tradicional do cancã que foi feita especialmente para o desfile. À frente do carro alegórico, haverá um grupo [ala] de 300 pessoas com vestidos de cancã nas cores azul, branco e vermelho, as cores da bandeira da França.”

 
Para integrar melhor o enredo, o carro com o Moulin Rouge também trará atores franceses que representarão personalidades que fazem parte da história do cabaré, como o pintor Toulouse Lautrec (1864-1901), assíduo frequentador da casa e fascinado pela vida da boemia parisiense do final do século 19. Uma das suas musas, Jane Avril, também estará representada na alegoria da Grande Rio.

 
Essa fase áurea do cabaré é o tema do filme “Moulin Rouge”, com Nicole Kidman e Ewan McGregor. O passado do cabaré contou ainda com a presença de outras figuras marcantes como o cantor Charles Aznavour. Mas, hoje, a casa é uma atração turística por onde passam 600 mil turistas por ano, na sua maioria japoneses e americanos dispostos a pagar entre 89 e 145 por um ingresso.

“Achei surpreendente. Não esperava que o Carnaval do Rio fosse tão profissional. Aqui nós temos a impressão de que é uma grande festa popular, mas é também uma verdadeira indústria”
FANNY RABASSE, relações-públicas do cabaré

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